domingo, janeiro 27, 2008




Quando nasci era apenas mais uma criança em um mundo de homens grandes, agora que cresci sou apenas mais um homem grande em um mundo de crianças...
[ Cesar Manson ]

domingo, maio 08, 2005

Infância


Mais uma manhã de domingo. Sol forte, céu de um azul vivo. Nenhuma nuvem. Bom para um bronzeado. Numa cadeira, olhando fascinada para o céu, ativa-se uma espécie de saudosismo adormecido há tempos, bem lá num cantinho da memória. E aí, vêm lembranças duma infância sem brinquedos de última geração tecnológica ou virtual. Televisão, por pouco tempo. Alguns raríssimos filmes ou seriados vespertinos. Quando se preferia a molecagem e traquinices ao ar livre em que todos sabiam quem era quem e onde cada um morava. Lembranças de uma infância que não existe mais.
E quantas lembranças... Das dunas brancas e morros de areias coloridas e seu labirinto na praia de Tibau durante as tão sonhadas férias escolares. A alegria da liberdade dentro do mar sobre pranchas de isopor ou bóias de câmaras de ar que os pais providenciavam com bastante antecedência, pelas oficinas da cidade, sobre as quais sentia-se o prazer quase dominante daquele mar sem fim; os castelos de areia construídos engenhosamente, para ver qual o maior e o que não caía no meio da sagrada obra; as buscas quase constantes de búzios diferentes ou da mesma cor, levados, no final das contas, pra secar no terraço de casa e, depois, devolvidos à natureza ou guardados nos baldinhos mais velhos às vezes até o próximo veraneio; das noites iluminadas pelas lamparinas e lâmpadas a gás quando participavam do convívio familiar todas aquelas sombras com seus malabarismos pelas paredes e telhados; a brisa do mar, num canto místico constante, fazia com que, no despertar do dia seguinte, estivesse todo o piso cheio de areia que vinha bailando pelo telhado.
Dos amigos de infância com os quais brincava - saindo escondida quando não deixavam - e brigava livremente pelas ruas, vielas, becos, praças e quintais: Ceição, Helana e Lenira, Íris e Astrid, Nelsinho... Brincadeiras verdadeiramente brincadas. Birras costumeiras entre enredos aos pais até arranhões, tapas, puxões de cabelos, beliscões e muito esbregue e chineladas. Com pouco tempo depois da choradeira, tudo voltava ao normal, sem mágoas nem ressentimentos até “ficar de mal, de sangue a fogo” novamente.
Dos jogos de queimada, tique, esconde-esconde, academia, pêra-uva-maçã, troca de revistas em quadrinhos, “bafo” com as figurinhas dos álbuns que davam prêmios, telefone sem fio.
Dos encontros da criançada nos domingos como este. Antes do almoço festivo pela vizinhança, em cima da grande e velha cisterna que ficava ao lado da cajaraneira no quintal de Seu Luís e Dona Neusa, fazia-se “cozinhadinhos” nas panelas e marmitas de alumínio com porções mínimas de alimentos surrupiados das cozinhas e geladeiras das casas de cada um. O fogo, normalmente era aceso no fogareiro de lata de óleo, de flandres, presente em quase toda residência. Ria-se muito quando as mães, atarefadas com a rotina do almoço dominical, davam por falta de algum utensílio. Mesmo debaixo de muita zoada como conseqüência das danações, tudo dava certo. E os travessos entreolhavam-se com a cumplicidade gostosa daquela infância, até para comprovar a eficiência da traquinagem e astúcia de cada um. Principalmente porque domingo, não era dia de castigos. Só de carão, no máximo. Os convidados de honra para os lautos banquetes infantis dominicais eram os meninos da redondeza: experts no jogo de futebol - menina não podia jogar, era coisa de homem, ô! -, no de botão, no de bola de gude (bila), em empinar pipa (papagaio), em correr nos seus carrinhos de rolimã artesanalmente fabricados nas “oficinas” improvisadas em seus quintais, davam a honra de aceitar brincar.
Estes mesmos eram os que formavam outras platéias para as meninas, a platéia para os desfiles de modas com as bonecas e suas roupas confeccionadas com retalhos de tecidos que as avós, mães, tias, madrinhas ou vizinhas não aproveitariam mais. Sempre tinha alguma parenta ou amiga que havia cursado “Corte e Costura”. Guardavam seus apetrechos na máquina Singer, Vigorelli ou Elgin. Linha e agulha sabem-se lá o trabalho que dava pra conseguir com elas! Quando não dava pra ter acesso ao estojo de costura, apelava-se para recortes das velhas revistas de moda. Mas, fazia-se a roupinha. Detalhadamente. Cada uma com criatividade e arte dignas de qualquer estilista de hoje e apresentava-se a brincadeira do desfile das bonecas.
Havia, também, mais uma brincadeira especial: o aniversário das bonecas. Cada uma, como gente grande, tinha sua data. E ia-se para a cozinha, atazanar a dona do pedaço - a cozinheira. Podia ser Teté, Nhá Rita, Salete, Dôrinha, Maria, Nenê... Quituteira de primeira, criativa, fiel, honesta e zelosa no seu ofício - sim, naquela época existia essa espécie - quase sempre atendia de bom grado aos pedidos. Quando não atendida de pronto, a “mãe” da boneca ficava, discretamente, numa estressante cantinela de argumentos e lengalengas até vencer pelo cansaço a dedicada colaboradora da família. E tinha-se o bolo em miniatura, assado numa das panelinhas daquela marmita de alumínio usada nos famosos “cozinhadinhos”, porque bolo grande, na fôrma de tamanho e formato preferido da dona da casa, somente em aniversários de verdade. Não nos de brincadeira. Refrescos ou Ki-Suco de uva. Mas, se tivesse em casa e desse sorte com a aprovação dos pais, podia ser servido Crush, Grapette ou Fanta. Um copinho que fosse. Depois, era sair convidando a meninada toda e lembrando para levar presente.
Aniversário na infância daquele tempo sempre foi sinônimo de presente. Principalmente quando era de boneca. Podia ser qualquer coisa: um vestido de outra boneca, um penduricalho qualquer que estivesse no monte de brinquedos, uma panelinha ou cadeirinha da casinha de bonecas...Mas, tinha que dá presente. E, quando chegava a hora da festa, tudo era alegria. Sentados em mesinhas baixas que normalmente eram usadas durante as refeições rotineiras das crianças da casa ou mesmo no chão, tudo transcorria maravilhosamente bem. Depois de abrir os presentes, cantar parabéns e comer do tão esperado bolo, esparramava-se em brincadeiras pelas calçadas ou jardins da casa.
E, assim, vivia-se uma infância boa!

Maria Bessa

sexta-feira, abril 08, 2005

Os lúcidos


Os lúcidos - Marta Medeiros

Às vezes a fronteira lucidez e insensatez pode ser bem tênue ou então como distingui-las ?....

QUANDO ALGUÉM DIZ QUE VOCÊ É muito lúcido, seu ego fica massageado, não fica? Lucidez, num mundo insano como este, é ouro em pó. Outro dia me disseram que eu era muito lúcida e foi como se tivessem me dito que eu era uma jóia rara. Enfiei o elogio no bolso e voltei pra casa me sentindo a tal. Depois do jantar, abri um livro de poemas de um querido amigo, Celso Gutfreind, que além de poeta é psiquiatra, mas não atentei para o perigo da combinação. No meio da leitura, encontrei lá um verso que dizia: "Nada neste mundo é mais falso do que um lúcido". Meu castelo de cartas ruiu. Lúcidos, nós?? Certo está meu amigo Celso: não há a mínima chance. Podemos, quanto muito, disfarçar, tentar, arriscar uma lucidez rapidinha para ajudar um filho a decidir um caminho, ou para escolher o nosso, mas com que garantias? Somos todos franco-atiradores diante dos medos, dos riscos, dos erros. Acordo de manhã desejando fazer a mala, colocá-la no meu carro e pegar uma estrada que me leve para longe de mim, mas ao meio-dia estou sentadinha na sala de jantar comendo arroz, feijão, bife e batatas fritas com um sorriso no rosto e cronometrando as horas para não me atrasar para a mamografia: uma mulher lúcida, extremamente. Tem noites em que o sono não vem, me reviro na cama deixando que me invadam os piores prognósticos: não sobreviverei ao dia de amanhã, não terei como pagar as contas, quem me cuidará quando eu for velha, o que faço com aquela camiseta tenebrosa que comprei, não posso esquecer de telefonar, de dizer, de avisar, e o escuro do quarto pesa sobre minha insensatez, até que o dia amanheça e me traga de volta a lucidez. Enquanto trabalho com ar de moça séria e ajuizada, minha cabeça parece uma metralhadora giratória, os pensamentos sendo disparados a esmo: digo ou não digo; fico ou não fico; tento ou não tento - quem de mim é a sã e quem é a louca, por que ontem eu não estava a fim e hoje estou tão apaixonada, como estarei raciocinando daqui a duas horas, em linha reta ou por vias tortas? Alguém bate na porta interrompendo meus devaneios, é o zelador entregando a correspondência, eu agradeço e sorrio, gentil, demonstrando minha perfeita sanidade. Que controle tenho eu sobre o que ainda não me aconteceu? E sobre o já acontecido, que segurança posso ter de que minha memória seja justa, de que minhas lembranças não tenham sido corrompidas? Quero e não quero a mesma coisa tantas vezes ao dia, alterno o sim e o não intimamente, tenho dúvidas impublicáveis, e ainda assim me visto com sobriedade, respondo meus e-mails e não cometo infrações de trânsito, sou confiável, sou uma doida. E essa constatação da demência que os dias nos impingem não seria lucidez das mais requintadas? É de pirar.
E-mail: martha.medeiros@oglobo.com.br

terça-feira, março 22, 2005

Acredite!



Gostei tanto deste testo que resolvi coloca-lo aqui! :) não tenho muitas coisas a dizer no proximo post eu acrecento algo mais ao blog! hehehe




Acredite

Você precisa ter sonhos,
Para que possa se levantar todas as vezes que cair.
Acreditar, que a toda hora,
Acontecerá coisas boas e mudará o rumo da sua vida.
Você precisa ter sonhos grandes e pequenos,
Os pequenos são as felicidades mais rápidas,
Os grandes, lhe darão força para suportar
O fracasso dos sonhos pequenos.
Você tem que regar os teus sonhos pequenos.
Você tem que regar os teus sonhos todos os dias,
Assim como se rega uma planta, para que cresça...
Você precisa dizer sempre, a você mesmo:
- vou conseguir!
- vou superar!
- vou chegar no meu sonho!
Fazendo isso, você estará cultivando sua luz,
A luz de sempre ter esperança, que nunca poderá se apagar,
Pois ela é a imagem que você pode passar para as outras pessoas,
E é através dessa luz que todos vão lhe admirar,
Acreditar em você e te seguir.
Mire na lua
Pois se você não puder atingi – la, com certeza irá conhecer grandes estrelas...
Ou, poder ser uma delas.

Vilma Galvão